“Tudo o que fizerem, façam de todo o coração,
como para o Senhor, não para os homens, sabendo que receberão
do Senhor a recompensa da herança, pois é a Cristo,
o Senhor, a quem vocês servem.” Colossenses 3:23-24
A necessidade de agradar aos outros. Para muitas pessoas — inclusive para mim —, isso parece uma batalha que dura a vida toda.
Minha luta para agradar aos outros começou assim que aprendi a andar e a falar. Venho de uma cidade pequena no Meio-Oeste americano, onde todo mundo sabe da vida de todo mundo. Para ser “bem-vista” pelos outros, era preciso agir, falar e se vestir de certa maneira — você me entende. Aprendi a adaptar meu comportamento para agradar a diferentes grupos de pessoas.
Já adulta, comecei a perceber que não sabia quem eu era. Depois de tantos anos me moldando para que os outros gostassem de mim, perdi minha própria identidade. Quando amigos pediam minha opinião sobre algo, eu não fazia ideia do que dizer. “Qual é a coisa certa a dizer para que eles continuem gostando de mim?” — esse era o pensamento que passava pela minha cabeça antes de responder. Tomar decisões em grupo me deixava paralisada. Eu não queria expressar minha opinião porque achava que as pessoas gostariam mais de mim se eu fosse do tipo que “vai com a maré”.
Com o tempo, aprendi que meus amigos queriam me conhecer de verdade. Não a versão de mim que se parecia com todo mundo, mas a verdadeira eu.
Parte da minha luta para agradar aos outros também envolvia o medo da autoridade. Eu queria desesperadamente que as pessoas em posição de autoridade tivessem uma boa imagem de mim. Acredito que todos nós enfrentamos isso, em certa medida. Colossenses 3:22–4:1 fala sobre servos que obedecem aos seus senhores não para agradar aos homens, mas por temor ao Senhor.
Há cerca de um ano, percebi que o medo dos homens estava substituindo o temor do Senhor. Eu estava no primeiro mês de um novo trabalho no ministério e sentia como se meu mundo estivesse desmoronando. Pediam-me para dizer verdades difíceis às pessoas, e elas não reagiam bem (ou seja, eu não conseguia conquistar a aprovação delas). Eu tinha medo de dizer a coisa errada, mas também medo de dizer a coisa certa. Voltei a ficar paralisada, sem saber como seguir em frente. Depois de compartilhar com alguns amigos e receber a sabedoria deles, fui lembrada da minha identidade em Cristo. Deus criou cada um de nós de forma única e deseja que sejamos nós mesmas, livremente. A única maneira de Ele transformar nossos corações é se nos rendermos ao Seu amor. Acredito que, ao temer ao Senhor, nós nos rendemos ao Seu amor.
Temer a Deus não significa agir por pavor d’Ele, mas sim reconhecer o Seu caráter santo e agir com reverência para com Ele. Esta passagem em Colossenses reconhece que temos uma herança como recompensa. A recompensa não é a aprovação de autoridades ou o fato de sermos queridos pelos outros. Pelo contrário: nosso Pai Celestial nos amou tanto que enviou Seu Filho para morrer por nós, e poderemos viver com Ele para sempre.
Não sei se a necessidade de agradar às pessoas ou o temor dos homens voltarão a surgir de diferentes formas ao longo da minha vida. Mas o que posso afirmar com convicção é que há muito mais liberdade em temer ao Senhor do que em temer o homem. Pense nisso: o Criador do Universo o criou e tem prazer em usá-la exatamente onde Ele a colocou. Vamos prosseguir obedecendo aos nossos líderes, trabalhando com dedicação e servindo a Cristo, enquanto tememos ao Senhor em tudo o que fazemos.





